03/04/2014
PADILHA AO 247: "GESTÃO DA SABESP FOI IRRESPONSÁVEL"


PADILHA AO 247:


Em entrevista ao 247, o pré-candidato do PT ao governo de São Paulo, Alexandre Padilha, comenta a queda das ações da Sabesp na Bovespa, que, diga-se de passagem, foi bem mais aguda do que a dos papéis da tão falada Petrobras; "a gestão cometeu erros graves", diz ele; "como não foram feitos os investimentos necessários, a empresa agora se vê forçada a conceder grandes descontos aos consumidores que economizarem água, o que impacta seu caixa"; nesta tarde, a Agência Nacional de Águas recomendou um racionamento emergencial em São Paulo, que, segundo os técnicos, não pode esperar o calendário eleitoral; governador Geraldo Alckmin está sob pressão
3 DE ABRIL DE 2014 ÀS 15:51

247 - O ex-ministro Alexandre Padilha, pré-candidato do PT ao governo de São Paulo, escolheu um ângulo novo para criticar o colapso do sistema Cantareira, em São Paulo. Uma abordagem parecida com a que vem sendo usada pelos presidenciáveis da oposição para criticar a queda no valor de mercado da Petrobras. Só que, desta vez, o alvo é a Sabesp, empresa de saneamento de São Paulo, cujas ações caíram 30% neste ano – bem mais do que os 6,4% de queda da tão falada Petrobras. "A gestão da Sabesp tem sido irresponsável não só com os consumidores, que hoje enfrentam a escassez, mas também com os acionistas", disse Padilha, ao 247.

Segundo o ex-ministro, a conta é simples. Ele afirma que, quando o governador Geraldo Alckmin (PSDB) assumiu, a empresa era fortemente lucrativa e dispunha de R$ 2 bilhões para investir na ampliação da capacidade das represas, sobretudo do sistema Cantareira. No entanto, diz ele, os administradores da companhia teriam adotado uma visão de curto prazo, em detrimento de uma gestão mais responsável. Resultado: sem água para levar para os consumidores, a empresa está concedendo bônus aos clientes que reduzirem seu consumo. E esses descontos afetam a rentabilidade da empresa. "Há estimativas que apontam custos de até R$ 800 milhões nesses bônus que a Sabesp está concedendo", diz ele. "Por isso, as ações caíram tanto".

Nessa linha, Padilha sinaliza que a questão da água será um dos pontos centrais de sua campanha. Nesta quarta-feira, uma decisão da Agência Nacional de Águas torna o quadro ainda mais delicado. Segundo a ANA, é necessário adotar um racionamento imediato em São Paulo – independente do calendário eleitoral. Alckmin, portanto, está sob pressão.

Leia, abaixo, notícia sobre a decisão da ANA, publicada pela Agência Brasil:

ANA defende medidas restritivas para o Sistema Cantareira

Ana Cristina Campos – Repórter da Agência Brasil - O diretor-presidente da Agência Nacional de Águas (ANA), Vicente Andreu Guillo, defendeu hoje (3) medidas restritivas para o Sistema Cantareira, pois, segundo ele, não há solução técnica de engenharia possível no curto prazo para resolver o problema de abastecimento da região metropolitana de São Paulo e da Bacia do Rio Piracicaba, que abastece a região de Campinas.

“Os dirigentes [da região] têm que tomar medidas preventivas, pois são necessárias no curto prazo”, disse Guillo, em audiência pública na Câmara dos Deputados.
O nível do manancial chegou hoje à menor marca de sua história, com 13,2%% da capacidade total.“Temos que atuar com cenários restritivos, e a população é mais compreensiva do que os políticos imaginam. E, quando se toma uma medida restritiva, é no benefício da população. Temos que usar o volume morto [do sistema] com parcimônia e torcer para que chova”, completou.

O Cantareira é o maior reservatório de água de São Paulo e abastece quase 9 milhões de pessoas na região metropolitana. A situação atual é a pior desde que o sistema foi criado, na década de 1970.

Guillo defende uma solução negociada entre os governos de São Paulo e do Rio de Janeiro sobre a proposta paulista de captar água na Bacia do Rio Paraíba do Sul. A intenção do governo paulista é interligar um dos rios da bacia ao Sistema Cantareira que, por falta de chuva, registra os piores níveis dos últimos 40 anos.

“A ANA está fazendo um esforço para colocar à mesa São Paulo e Rio de Janeiro para fazer essa discussão e buscar uma solução integrada. A discussão entre São Paulo e Rio de Janeiro, no começo, me pareceu que tinha mais a ver com voto do que a ver com água. Estamos vivendo um problema que está inserido dentro de um quadro político-eleitoral”, disse Guillo.

Para o coordenador do Programa Mananciais, da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), Ricardo Araújo, a captação de parte [das águas] do Rio Paraíba do Sul é importante para a recuperação dos reservatórios do Sistema Cantareira.

“Acreditamos que, do ponto de vista técnico, essa solução é plenamente justificável e não prejudica ninguém. Estamos numa fase em que precisamos avançar mais nas conversas [entre Rio e São Paulo]. Não acredito que haja regiões que sejam proprietárias de água. São Paulo tem necessidade enorme dessa água, sob risco de situações muito mais graves”, alertou Araújo.

Segundo ele, a vazão que atualmente é captada no Sistema Cantareira é, em tese, de racionamento. “Estamos captando pouco menos de 25 mil litros de água por segundo. Há um déficit de 6 mil litros por segundo, que estamos compensando por meio de bônus à população, quando ela economiza água, e da transferência de outros sistemas de abastecimento de água de São Paulo para a área de atendimento do Cantareira, particularmente do Sistema Guarapiranga e do Alto Tietê”, ressaltou.

Araújo ressaltou, porém, que tais medidas ainda não são suficientes para recuperar o Sistema Cantareira, que continua decaindo. “Do ponto de vista de curto prazo, para 2014, não há solução. Temos que tentar manter o abastecimento dentro das restrições. Um aporte novo de água que supere a falta de chuva anterior é impossível”, afirmou.

De acordo com o deputado Guilherme Campos (PSD-SP), o racionamento de água para a região afetada já deveria ter começado em janeiro. “Não vejo outra alternativa para a região no curto prazo que não seja o racionamento. Hoje, o volume de água reservado no Sistema Cantareira está em torno de 13%. Há um ano, estava na ordem de 60%”, disse.

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