05/06/2014
CAMPOS: POLARIZAÇÃO ENTRE PT E PSDB "JÁ CANSOU"


CAMPOS: POLARIZAÇÃO ENTRE PT E PSDB


Em roteiro de atividades partidárias em Porto Alegre, presidenciável socialista Eduardo Campos se projetou como terceira via na disputa 2014: “A polarização já cansou o Brasil. É preciso superar a polarização imposta nesses 20 anos por duas forças que já tiveram oportunidade de governar o Brasil e fizeram algumas coisas e deixaram de fazer muitas coisas. Eles precisam deixar que o Brasil possa ser devolvido aos brasileiros. Precisamos nos unir a despeito da briga que eles têm”
5 DE JUNHO DE 2014 ÀS 06:20

Samir Oliveira
Sul 21 - Presidente nacional do PSB e pré-candidato à presidência da República, o ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos esteve em Porto Alegre durante esta quarta-feira (4) para um roteiro de atividades políticas e partidárias. A agenda do socialista incluiu uma extensa entrevista coletiva à imprensa, na qual foram feitas duras críticas ao governo federal, comandado pela presidenta Dilma Rousseff (PT).

O pré-candidato cumpriu seu primeiro compromisso em Cachoeirinha, onde participou da posse da nova direção do PSB no município. Em seguida, se reuniu com a direção da Santa Casa de Porto Alegre – ocasião em que teceu críticas ao subfinanciamento do SUS e ao programa Mais Médicos, ao mesmo tempo em que defendeu uma maior abertura para parcerias com o setor privado na área. Eduardo Campos ainda conversou com jovens de um cursinho pré-universitário no início da noite.

Na agenda também conta participação em comemoração de aniversário do deputado federal Alceu Moreira (PMDB).

Em entrevista coletiva, o ex-governador tratou de se colocar como alternativa à polarização tradicionalmente existente entre PT e PSDB na disputa pelo Palácio do Planalto. “A polarização já cansou o Brasil. É preciso superar a polarização imposta nesses 20 anos por duas forças que já tiveram oportunidade de governar o Brasil e fizeram algumas coisas e deixaram de fazer muitas coisas. Eles precisam deixar que o Brasil possa ser devolvido aos brasileiros. Precisamos nos unir a despeito da briga que eles têm”, qualificou.

Eduardo Campos entende que os últimos três ciclos do país – que qualifica como “transição política da ditadura para a democracia, estabilidade econômica no governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e inclusão social no governo Lula (PT) – correm o risco de serem extintos. “Estamos vendo esses três ciclos perdendo consistência. Nunca num regime democrático se concentrou tanta renda na União”, criticou.

Para o socialista, o atual governo ocasionou “o menor crescimento econômico de toda a história republicana” nos últimos quatro anos, permitiu a volta da “inflação batendo à porta” e ficou inerte diante “da taxa de juros mais alta do planeta”.

Aliança com o PMDB

No Rio Grande do Sul, o palanque de Eduardo Campos será sustentado pelo pré-candidato do PMDB ao governo estadual, o ex-prefeito de Caxias do Sul José Ivo Sartori – que concorrerá em aliança com PSD, PSB, PPS, PSDC, PHS, PSL e PTdoB. Contudo, existe a possibilidade de outros setores do PMDB gaúcho apoiarem a candidatura de Dilma Rousseff.

O ex-ministro da Agricultura, Mendes Ribeiro Filho, e o deputado federal Eliseu Padilha trabalham pela reeleição da petista, que terá o vice-presidente Michel Temer (PMDB) como companheiro de chapa, articulam o apoio à Dilma junto a prefeitos de cidades do interior do estado.

Questionado sobre isso, Campos disse que vê unidade no PMDB gaúcho e disse que “casos isolados” não irão abalar a aliança construída com o PSB. “O que vejo é uma grande unidade aqui no PMDB. A unidade daqui está animando a vida de muitos peemedebistas históricos, do MDB autêntico, no Brasil afora. Os PMDBs do Rio Grande do Sul e de Pernambuco sempre foram uma referência importante no MDB autêntico. Uma palavra ou outra, de uma pessoa ou outra, não vai conseguir interromper a força da história. O desejo das ideias e de renovar é maior do que qualquer episódio isolado que possamos ter em qualquer estado”, ponderou.

Ainda a respeito do PMDB, o pré-candidato foi questionado por estar dizendo que não irá se aliar ao senador José Sarney (PMDB-AP) se for eleito e, ao mesmo tempo, costurar alianças com peemedebistas. “O PMDB do Rio Grande do Sul nunca foi o PMDB do Sarney. O Sarney sempre foi Arena e PDS e veio a ser PMDB numa situação própria que a história registra”, justificou.

Mais Médicos e Bolsa Família

Eduardo Campos assegura que irá manter o programa Bolsa Família, que disse ter visto nascer, juntamente com Marina Silva, sua candidata a vice, quando ambos eram ministros do governo Lula. Entretanto, ele frisa que é necessário ampliar o projeto e cerca-lo de políticas públicas que possibilitem que as famílias assistidas não fiquem dependentes do benefício. “Queremos que os que recebem Bolsa Família recebam outras políticas que não recebem hoje. Não é só dar um cartão para uma família pobre e achar que está resolvido o problema”, criticou.

A respeito do programa Mais Médicos, o pré-candidato disse que o projeto coloca a população contra os profissionais brasileiros e as entidades médicas. “Fazer uma disputa e jogar a população contra os médicos brasileiros está errado. Está errado também passar a impressão de que os culpados pela situação do SUS são os médicos”, qualificou.

Campos entende que “só trazer médicos do exterior não resolve”. Contudo, ele garante que não irá abortar o programa. “Não podemos, por uma questão política, tirar o único médico que tem em uma comunidade. Temos que deixar o médico lá, respeitar as leis trabalhistas, avaliar os convênios e formar médicos brasileiros no interior”, defendeu.


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